quarta-feira, 31 de julho de 2013

Treze: sorte ou azar???

Nos últimos dias muita gente me tem perguntado como é ser a segunda mais velha de treze filhos. Sim, treze filhos: 10 raparigas e 3 rapazes! (E antes que perguntem . . . sim, somos todos da mesma mãe e do mesmo pai (graças a Deus!) e sim, os meus pais quiseram cada um de nós e não houve  "acidentes"!)

Na minha opinião, ter muitos irmãos, ou melhor, gostar ou não de ter muitos irmãos não depende do número de irmãos que se tem, nem da personalidade deles, nem do número de vezes que se andou à bulha, nem do número que ocupamos na fila!... depende acima de tudo dos pais! 

Cresci toda a minha vida a achar normal ter muitos irmãos, a achar normal ver a minha mãe grávida, a achar normal ter que ajudar em casa, ter que partilhar brinquedos, ter que ceder do meu tempo, do meu espaço, (às vezes até...) da minha paciência! E achava isso normal porque lá em casa todos o fazíamos e, acima de tudo, os meus pais faziam-no! 

As panelas? Tamanho XL! A mesa? Com todas as tábuas postas! A roupa? Pilhas e pilhas intermináveis para passar! Estudar? Todos no mesmo escritório excepto quem tinha teste que estudava no quarto! E os quartos? Beliches e camas-gaveta, pois claro! Ajudar? Tínhamos uma tabela de tarefas! As férias? Turismo Rural e praia sempre aqui pelo Norte! Os pais? Trabalham os dois! As refeições? Sempre todos juntos em família!

É claro que quando tinha 15 anos suspirava por um quarto só para mim, por uma casa em silêncio absoluto, por um armário-à-prova-de-irmãs... é claro que me irritei muitas vezes quando queria estudar e tinha um bebé a chorar ao meu lado ou um irmão de 2 anos a pedir para ir brincar com ele ou uma televisão acesa com desenhos animados em modo non-stop... é claro que os nossos horários eram diferentes, que era difícil chegar a horas, que éramos treze apertados num carro... mas . . . quando tive finalmente um armário só para mim passei a sentir falta da minha irmã Rosarinho a perguntar "e então, o que é que me vais emprestar amanhã?", quando comecei o curso de Farmácia percebi que tanto conseguia estudar numa biblioteca em silêncio absoluto, como no bar da Faculdade no meio de uma montanha de pessoas sem perder a concentração, quando comecei a trabalhar percebi que conseguia fazer muitas coisas ao mesmo tempo, que a pontualidade para mim era fundamental e que num carro, por mais pequeno que seja, cabe sempre mais um!

Sempre me perguntam se os meus pais me deram menos atenção porque estavam demasiado ocupados com os mais novos . . . se deram, não senti nada! Sempre que precisei dos meus mais eles estavam lá para mim. Ainda hoje, tudo de bom ou mau que acontece são os primeiros a saber! A minha mãe então tem o jeito de tratar cada um de nós como se fossemos filhos-únicos: não sei como é que ela faz, mas faz, nunca se esquece de nada que tenha haver connosco!

Quando olho para trás, para quando éramos todos pequeninos, só tenho boas recordações! Mesmo os momentos mais "duros", as discussões, as bulhas, as zangas me fazem agora rir à gargalhada quando estamos todos juntos! "Lembras-te daquela vez em que . . ." é a frase inevitável de todos os almoços e jantares de família! E daí vêm histórias, que trazem outras memórias atrás e que se prolongam em conversas intermináveis...

É que são TREZE personalidades diferentes!!! TREZE! A Nina, a Teresa, o José, o Humberto, a Inês, a Otilia, a Isabel, a Marina, a Rosarinho, a Carminho, o Xavier, a Leonor e a Pipinha! É impossível não haver histórias, dramas, super dramas, algum caos e muitas alegrias! É impossível não haver ligações especiais, confidências, conversas... é impossível não criarmos uma ligação especial entre todos... é possível e é muito bom! (especialmente a parte dos dramas! não há nada como ter muitos irmão para nos fazerem ver o quão ridículos são alguns dos nossos dramas! é que são logo doze de uma vez a gozar connosco!) :)

Treze para mim foi SORTE! Muito do que sou hoje devo-o aos meus pais e aos meus doze irmãos! Treze para mim é tão normal como um ou dois... é... normal! :) extraordinariamente normal!


Tão típico :)

Ninguém nos faz rir como um irmão! :)
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2 comentários:

  1. Gostei mesmo muito deste pedacinho da tua vida!

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  2. Teresinha!! quero um treze destes para mim ;)
    Inspirador este teu post!
    Adorei!

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